Uma estranha fronteira

Antes de falar de fronteiras além-mar, antes de viajar por entre história, culturas e nós mesmos, antes mesmo de pisar esse inóspito território de quem entra e de quem sai e ninguém quer ficar a que chamam Imigração, precisamos falar sobre uma outra, uma estranha fronteira.

Diferente das que chamaremos de Fronteiras Físicas, esta Fronteira de Nós não acontece em ambiente inóspito, quando parece não existir vivalma para te acudir, apenas um fiscal de cara amarrada, que pode ou não carimbar seu passaporte. Pelo contrário. Para ser cruzada, grandes celebrações são preparadas e muita gente vai lá só para assistir. Ainda assim, em certos momentos do ritual de se cruzar essa fronteira, a sensação de estar sozinho no mundo diante da pequena cabine, a vontade de voltar atrás, sem saber muito bem como seguir em frente, mas tendo a certeza de que é preciso, sempre preciso, é parecida, bem parecida.

Mas ao meu lado diante da cabine tinha o melhor companheiro de viagem do mundo. A espera por carimbarem nosso passaporte juntos e seguirmos viagem, agora de mãos dadas, não podia ser maior ou mais ansiosa.

Primeiro, então, celebramos a Imigração. E realmente foi todo mundo lá só para assistir. Assistir e dançar e beber e cantar e mais. Muito mais. E aí, com os dois pés dentro de um novo território, saímos a desbravá-lo. Quer melhor maneira de fazer isso do que realmente caminhando por aí? Afinal, era preciso mais que conhecer lugares e comidas e histórias, era preciso conhecer o outro e descobrir quem somos juntos.

O destino

A língua portuguesa não poderia ter escolhido palavra melhor para determinar tantas coisas e, ao mesmo tempo, não determinar nada. Não existe nada mais obscuro do que o que o destino nos reserva. Por mais que a gente planeje.

Pois bem. Dito isso, e pedindo para contar depois a história de como ganhamos uma semana num catamarã em ilhas Gregas, conto que nos debruçamos milhares de vezes sobre mapas, datas e interesses. A viagem teria que girar em torno da Grécia, isso era óbvio. Daí, como nada de entrar num grande navio ou numa grande excursão nos apetece o estômago, sabíamos que tínhamos que encarar qualquer destino por conta própria (afinal, não seria sempre assim?).  Quase ficamos com a Croácia (confesso que ela ainda está no meu coração, escondida, esperando o momento certo para sair). Mas acabamos optando pela Turquia. Não porque está na moda (nem sabíamos que estava na moda antes de planejar isso tudo). Mas sim porque algo queria me levar por caminhos mais exóticos, um quê de oriente, um pé na Ásia… Algumas noites das Mil e Uma nos cairiam bem. Decidido isso, e sendo a ideia entrar e sair pela Itália por ser mais prático e barato – e romântico, porque nenhuma lua de mel é de ferro… – Roma, belíssima Roma, é nosso destino final. E não se fala mais nisso. Quer dizer, fala-se muito ainda sobre isso, antes, durante, depois.

Um mês???

A nossa lógica era simples. Se eu tiro férias todo ano e passo um mês viajando, por que não fazer isso também na minha lua de mel? Mas as pessoas não parecem entender. Parece coisa de gente muito rica. Parece coisa de gente que não trabalha. Parece, na verdade, é que todo mundo acredita que lua de mel é para se ter muita mordomia em uma semana num resort na praia (e muito casamento talvez não agüentasse mais que uma semana assim, logo de cara). Não para nós. Um mês, sim. Numa viagem talvez mais barata que algumas “uma semana em resort”. Diferente? Sim. Aventureira, pé na estrada, mochileira? Com certeza. Mas é assim que nós sabemos viajar. Difícil, cansativa? Talvez. Mas a gente paga para ver. Porque nós temos a certeza de que, quando colocamos os pés nesse território chamado casamento, não foi de passagem, foi para ficar.

Uma última e pequena história. Quando Leandro me conheceu, ele diz ter se encantado por meus pés. Amor à primeira vista. Sabe-se lá por quê. Durante a viagem, ele disse ter finalmente entendido. Ele não sabia lá atrás, mas o destino o faria seguir meus pés e eles o levariam para lugares que ele nunca tinha sonhado conhecer.

Atravessamos juntos, agora
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3 comentários Adicione o seu

  1. Aline de Castro disse:

    É um grande prazer acompanhá-la nestas viagens literárias, portanto quero continuar a me deleitar na leitura das etapas do itinerário que serão postadas no blog. Saudosos beijos com asas e, espero, até breve.

  2. Leandro Neves disse:

    Pois é, Linda! Agora, seus pés vão me levar às melhores lembranças, destinos conhecidos, cheiros e sabores indescritíveis, emoções vividas e que estão por vir! Te amo!

  3. Graziela disse:

    Lú, adorei conhecer seu blog. Adoro seus textos, vc sabe disso. Aparece! Moramos pertinho agora! Beijos.

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