Uma noite histórica

Quando eu vi Atenas pela primeira vez, perdi o fôlego. Confesso que já esperava que isso fosse acontecer desde que me apaixonara pela História. Num dos livros mais marcantes da minha vida, O Dia do Curinga, pai e filho fazem uma viagem de carro que passará por Atenas. O pai fala para o filho sobre a emoção que sente em pisar pedras milenares, pedras que contam histórias de quem somos e como nos formamos, nesse capítulo fundamental para a humanidade que representamos hoje. Perdoem se a memória estiver inventando coisas nesse momento, eu li esse livro há mais de 15 anos. Mas a emoção que aquele personagem sentiu, eu nunca poderia deixar de sentir também.

Pois Atenas fez questão de fazer jus a tudo que eu esperava. Ela surgiu pra mim esplendorosa, iluminada. Desmentiu aqueles que diziam que era uma cidade sem graça, comum, com um ou outro monumento arqueológico perdidos aqui e ali.

Primeiro conheci seus subsolos, adentrando a cidade pelo seu metrô. Mas ainda não era capaz de perceber sua profundidade. Foi só do alto que eu a vi realmente. E foi quando perdi o fôlego. Foi no momento em que saí do elevador, no terraço do hotel(1). Logo ali, bem em frente aos meus olhos, ela surgiu. Na verdade, ela cresceu. Subindo o monte, estava a Acrópole e seu Parthenon. E tudo o mais que isso significa. Quase tocável. Totalmente intocável, pensando bem.

Dois chopps, só pra relaxar.

Nos deixamos ficar ali, por um tempinho. Era irresistível. Pedimos dois chopps e só curtimos o momento. E, como se não bastasse a Acrópole ali no alto, bem na nossa frente, do outro lado do terraço, o Templo de Zeus estava aos nossos pés.

Do outro lado, a vista para o Templo do Zeus Olímpico (na manhã de outro dia)

Confesso que não gosto de conhecer cidades à noite. A chegada, a adaptação, a busca pelo hotel, a compreensão de como as coisas são e como elas funcionam por ali, nada disso, para mim, é feliz à noite. Mas com Atenas foi diferente.

Depois do chopp, chegava o momento de realmente pisar na rua, sentir a cidade. Andando em direção à saída do metrô, a apenas um quarteirão do hotel, sabíamos que encontraríamos umas comidinhas. E, no pé da Acrópole (mais tarde fomos descobrir que a nossa vida em Atenas gira ao redor do pé da Acrópole, como não podia deixar de ser), estava esta simpática rua, com alguns restaurantes, bistrozinhos, sorveterias, sanduíches e cafés.

Leandro foi direto na salada grega, no restaurante que dizia no adesivo da porta ser indicado pelo Lonely Planet. Quem diria que, em plena Grécia, a salada grega mantém o nome “grega” nos cardápios? Quero dizer, ao menos na versão em inglês, porque na versão grega mesmo não dava para entender bulhufas. E preciso dizer que, depois dessa, foi difícil convencer o Leandro a experimentar outra coisa  na Grécia.

 

Cardápio em grego? “Pra Inglês ver”, não pra entender.

Antes da merecida dormida, depois de quase vinte e quatro horas viajando (BH-SP-Paris-Roma-Atenas-Ufa), ainda tivemos fôlego para o passeio de mãos dadas… onde? Aos pés da Acrópole! Deste lado da colina Filopáppos, onde o templo para a deusa Atena foi construído há 2500 anos, entre a entrada do Teatro de Dionísio e o Teatro de Herodes Ático (mais sobre eles, muito em breve), está uma rua de calçamento de pedras, onde não passam carros, somente turistas, atenienses e artistas de rua. A bucólica iluminação vem, especialmente, do alto, fazendo do templo amarelado e imponente, e respingando na rua, no nosso passeio.

O passeio, na tarde de um outro dia

Antes de voltar para o hotel, um último suspiro. Respirei fundo… E foi quando eu descobri. Parecia quase irreal. Soltei a mão do Leandro e corri em direção aos arbustos que se alinhavam ao redor de todo o monte. Foi só passar a mão naquelas pequenas folhas pontudas, parecendo espinhos verdes, para entender aquele cheiro que enchia todo o ar de Atenas. Realmente, era alecrim.

O cheiro de Atenas

Duas providências foram tomadas, a partir de então. Primeiro, um pequeno ramo foi cuidadosamente retirado de um dos arbustos. Serviu como marcador e perfumador de página para nosso Guia Visual Ilhas Gregas e Atenas. Depois, passei a andar, por toda a viagem, passando a mão em todos os arbustos para descobrir com quantos temperos se faz um Mediterrâneo.

É alecrim!
Atenção, viajante do futuro:
(1) Hotel Athens Gate – Endereço: 10, Syngrou Avenue – Reserva feita pelo hoteis.com
 
 
 
 
Quer mais dicas? Mande um comentário. Com o maior prazer, buscarei anotações, mapas, guardados, impressos ou memória. Se eu souber, passo adiante.

Veja todas as fotos de Atenas.


A seguir, num post próximo de você: Lázaro e Carla, bora Bahea…; a subida da Acrópole; o que Atenas esconde nas suas ruelas e pracinhas; o desperdício Olímpico; uma multa???
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4 comentários Adicione o seu

  1. Gui disse:

    Eu também tenho mania de passar a mão nos arbustos e folhas, principalmente viajando? É de família?

  2. Juliana disse:

    Acabei de descobrir o seu blog lendo o Turomania e ameiiii !!! Tô indo pra Grécia mês que vem e gostaria de saber se fora todas as dicas imperdíveis do blog tem mais alguma?
    Abraços ! Juliana

    1. Luísa Rennó disse:

      Ei Juliana! Seja bem vinda ao blog. Que bom que você gostou. Ainda tem muito mais por vir, então fique ligada (aliás, dei uma bisbilhotadinha no seu blog e vi sua vontade de ir para a Turquia. Estive por lá também, andei pelo Gran Bazaar, voei de balão pela Capadócia e fiquei hospedada numa Cave House. Além disso, teve muito mais! Vc vai ver em algum post breve.).

      Dicas de que você quer? Vai para onde na Grécia? Pode perguntar tudo que eu respondo, adoro!

      Abraços!

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