Atenas, as esquinas e suas surpresas

Navegantes em busca da próxima fronteira,

Um pequeno desvio (de meros 6 meses) na rota precisou ser feito. A embarcação precisava de manutenção e esta sua fajuta guia esteve sem inspiração. Desculpem o transtorno. Mas, para quem ainda se interessa pelo roteiro, estamos de volta com o pé na estrada, o barco na água, o trem apitando, o bilhete de embarque em mãos. Sempre tentando alcançar a próxima fronteira. E sempre descobrindo que existe muito chão até lá. Simbora.

Já me disseram que Atenas era apenas uma passagem. Tentaram me convencer de que não existia nada ali além de uma metrópole bagunçada, com uma acrópole por cima de tudo e um pouquinho de história embaixo para contar. Mas uma das boas coisas de viajar, para mim, é pagar pra ver. E ver com os próprios olhos. Não adianta viajar apenas nos relatos dos outros viajantes. A realidade sempre será além dos mais detalhados relatórios que se possa ter.

De Roma eu esperava aquelas pequenas ruelas, de lindos prédios e esquinas misteriosas, que viramos e, de repente, a romântica visão surge. Mas encontrei (sem querer me adiantar no roteiro, e já me adiantando) largas avenidas e monumentais construções. Já de Atenas eu esperava os grandes monumentos, dignos de tanta história. E, sim, eu encontrei a Acrópole para me convencer, com toda sua imponência. Mas também encontrei ruelas, que escondem bairros charmosos, de onde se vira esquinas, que revelam pedaços inteiros da nossa história ali, perdidos no meio da atual metrópole, como quem não quer nada.

Atenas é assim, uma entidade que parece andar com as mãos nos bolsos, passeando enquanto assovia. De repente, vira uma esquina e se transforma. Seja em ruínas históricas, seja em pequenas igrejas bizantinas que parecem de brinquedo, seja em praça e restaurantes pitorescos, com seus garçons querendo sua atenção, suas moussakas, saladas gregas e mesas de toalha xadrez em meio ao verde dos jardins dependurados.

No meio do caminho tinha uma porta.
A antiga igreja Bizantina “afundada” na atual cidade.
Um convite para sentar e saborear o tempero grego.

Esse gosto da surpresa é uma das grandes delícias de viajar. Por isso, para alguns lugares que vou, pesquiso pouco. Me deixo levar.  E a única coisa que espero é que a cidade me surpreenda. Atenas foi assim. Eu pouco sabia sobre o que fazer depois de visitar o Parthenon e as ruínas ao redor. A dica então era procurar um daqueles lugares que o bilhete(1) em minha mão oferecia entrada. A quadra Luísa/Leandro/Carla/Lázaro partiu então em busca da Ágora Antiga.

O centro da vida Ateniense antiga

Algumas cervejas Mythos no caminho (cada latinha por 1 euro – nada mal, no calor de 40 graus!) e muitas esquinas depois, encontramos a antiga praça, centro da vida político-democrática, religiosa e social dos antigos gregos. Entre edifícios públicos e mais templos, uma stoa (o shopping center do momento) remontada como era, para que o turista tente visualizar a cena.

Templo de Hefesto
Stoa de Átalo

Muita ruína depois, era hora de virar uma esquina qualquer e dar de cara com a pracinha mais simpática para sentar. Longo dia, aquele. Mas surpreendente. Com a cara de Atenas.

Dicas para você que ainda vai para lá:
(1)   O bilhete, comprado por 12 euros na portaria de qualquer das atrações arqueológicas, dá direito a visitar: Acrópolis, Teatro de Dionísio, Ágora Antiga, Ágora Romana, Templo do Zeus Olímpico, Arco de Adriano, Kerameikos.
(2)   Ande à pé, o máximo que puder. Muitas ruas, especialmente no bairro de Plaka, são fechadas apenas para pedestres. E é exatamente por ali que você vai encontrar os recantos mais deliciosos de Atenas. O metrô serve bem como conexão entre os pontos turísticos, mas dá para fazer quase todos os trajetos à pé. O guia da Folha diz que os taxis são baratos e têm taxímetro. Não foi o que vimos. Por indicação do hotel, nas duas vezes em que precisamos pegar taxis negociamos o preço antes e nem vimos taxímetro funcionar. Em compensação, andamos de Mercedes novas com bancos de couro. Mas os taxistas… não falam uma palavra em inglês.
 

Quer mais dicas? Mande um comentário. Com o maior prazer, buscarei anotações, mapas, guardados, impressos ou memória. Se eu souber, passo adiante.

A seguir, num post próximo de você: o desperdício Olímpico; a multa!; o tão esperado cruzeiro.
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