Fernando de Noronha – o que fazer no paraíso?

Por Rafa Cruz e Silva, nosso viajante convidado

 

Os atrativos de Noronha são, nessa ordem, belezas naturais e gastronomia. Apesar de ter alguns prédios históricos na ilha – que não enchem os dedos de uma mão – o tempo que você passar em Noronha será dedicado a praias, trilhas, passeios de barco, mergulhos e boa comida.

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Praias

Próximo a Vila dos Remédios estão as praias “urbanas” mais conhecidas de Noronha: praia do Cachorro, do Meio e da Conceição. A do Cachorro é a mais próxima e a menor. Com uma estreita faixa de areia, em determinadas épocas do ano ela nem pode ser visitada, devido a maré alta. A do Meio – que tem esse nome exatamente por estar entre a do Cachorro e a da Conceição – tem uma faixa de areia um pouco maior, mas também fica sem poder ser usada na maré alta.

 

Na minha avaliação, a melhor praia do centro de Noronha é a da Conceição. Com uma faixa de areia longa e larga, é a praia com mais infraestrutura: tem um bar, onde você consegue comprar comes e bebes – em sua maioria, industrializados.

 

Ao visitar essas três praias, você já irá identificar algumas características comuns a quase todas as outras de Noronha. Em primeiro lugar, água translúcida de um azul esverdeado incrível. Em segundo lugar, mar agitado. Em geral, as praias de Noronha tem forte arrebentação.

 

O acesso a essas praias não é difícil. Há ruas de calçamento até todas elas. A da Conceição, a mais distante, está a uns 15 minutos de caminhada da Vila dos Remédios.

 

As outras duas praias mais acessíveis da ilha e passiveis de serem visitadas sem usar o ingresso do parque nacional marinho são a Cacimba do Padre e a do Boldró. Nenhuma delas é próxima das vilas mais centrais de Noronha e o acesso a elas, pelo menos em parte, é feito por trilha ou estrada de terra. Para quem está em uma das vilas centrais, a forma mais prática de visitá-las é de ônibus ou de carro, seja taxi ou um bugue alugado. Durante o tempo em que estivemos em Noronha, fizemos quase tudo de taxi. Raramente uma corrida dá mais que R$ 20,00.

 

A praia do Boldró, próximo ao morro do Pico, possui uma faixa larga de areia, um pouco menos de arrebentação e um visual sensacional. Do forte do Boldró, mirante que fica acima da praia, tem-se uma vista incrível! O ponto é um dos preferidos dos turistas para admirar o por do sol.

 

A Cacimba do Padre é uma das praias mais gostosas de Noronha. Com uma extensa e larga faixa de areia, a praia é a morada de um dos morros irmãos, um dos principais cartões postais da ilha. A separação entre o Morro Dois Irmãos é a divisa entre a praia Cacimba do Padre e a baía dos Porcos.

 

Preferida dos surfistas, a Cacimba do Padre tem forte arrebentação e até uma certa infraestrutura: passando por um trecho de terra de menos de 100 metros, há 2 restaurantes onde é possível comprar comes, bebes e até parar para almoçar.

 

Apesar de lindas, todas as praia acima citadas não se comparam com a baía do Sueste, a praia do Sancho e a praia do Leão. Elas são um pouco mais afastadas das vilas centrais e exigem o ingresso do parque nacional marinho para acessar.

Fernando de Noronha - Praia do Leão
Praia do Leão

 

A praia do Sancho – escolhida como a praia mais bonita do mundo – fica entre a baía dos Golfinhos e a dos Porcos. Ao passar pelo PIC – Posto de Informação ao Cidadão – onde você apresenta seu ingresso do parque nacional marinho, você escolhe a trilha para um dos três pontos. As baías e a praia do Sancho tem mirantes próprios, que permitem fotos incríves. E da baía dos Golfinhos – que fica a uma distancia de uns 400 metros do PIC, por uma passarela feita de plástico reciclado – foto é o máximo que você vai conseguir. Na baía dos Golfinhos não há praia: ela é um encontro da falésia com o mar, que ficou famosa por ser frequentemente visitada pelos golfinhos rotadores.

 

 

Do mirante da baía dos Golfinhos há dois jeitos de chegar no mirante/acesso à praia do Sancho: voltando para o PIC e pegando uma passarela de uns 300 metros até o mirante do Sancho (totalizando 700 metros de caminhada) ou por uma trilha de aproximadamente 1 km. A trilha é plana, com quase nenhuma subida e descida. Só lembre-se que, se tiver chovido, terra vira lama, o que dificulta a travessia.

 

Bom, se ainda não tinha caído, é no mirante do Sancho que você vai ter que buscar seu queixo no chão. A reação, diante da beleza inacreditável do local, é de choque. Se de cima a praia já é estonteante, ao chegar até ela por baixo você começa a entender de verdade porque Fernando de Noronha é o paraíso brasileiro na Terra. Mas “chegar até ela” é um capítulo à parte.

 

Bem próximo ao mirante está o acesso à praia do Sancho. Por uma escada vertical metálica, de aproximadamente 5 metros (uns 20 degraus), você desce numa fenda, entre duas pedras bem grandes. O final da escada dá num corredor estreito e curto (menos de 10 metros), formado exatamente na fenda das pedras. Ao sair da fenda você pega outra escada, esta normal, de pedra e bem mais longa, e desce até a praia. Apesar da escada vertical e do corredor serem bem curtos, eles podem causar uma sensação claustrofóbica. E um aviso aos obesos: a saída da fenda é estreita. Quando visitamos o Sancho, um cara que tinha descido imediatamente antes da gente teve que voltar pela escada vertical por não conseguir passar pela saída.

 

Da praia você consegue perceber mais claramente a composição incrível que forma o Sancho. Com uma larga e nem tão comprida faixa de areia, a praia é ladeada por dois morros. De frente para o mar, uma falesia coberta de mata equatorial em toda sua extensão. E bem no meio da falesia, em determinadas épocas do ano, é formada uma cachoeira a partir da água da chuva que escorre da falésia. Água cristalina azul esverdeada, areia clara, falésia, mata e cachoeira. Tá bom pra você?

 

A praia do Sancho tem arrebentação forte, mas nada que impeça de nadar. Para fazer snorkel, tente ir mais próximo a uma das extremidades da praia, mas nem tão perto: a arrebentação pode te levar aos morros. No Sancho, você já irá conseguir ver uma variedade grande da fauna marinha de Noronha.

 

Emendada à praia do Sancho, está a baía dos Porcos. Com uma faixa curtíssima e bem estreita de areia, a baía é cheia de pedras e deve-se nadar com cuidado. O lugar é incrível para mergulho de snorkel. Porém, o ponto alto é a vista do seu mirante. Ele fica bem próximo ao do Sancho. De lá, você tem uma vista da baía dos Porcos, com o morro Dois Irmãos ao fundo. É de embasbacar.

Fernando de Noronha - Dois Irmãos
Vista da Baía dos Porcos e do Morro Dois Irmãos

Outros dois pontos de passagem obrigatórios em Fernando de Noronha são a baía do Sueste e a praia do Leão. Ambas também estão na área protegida do parque nacional marinho. O PIC mais próximo fica na entrada da baía do Sueste.

 

De todas as praias/baias de Noronha, o Sueste é a única que não tem água cristalina. Mas, acalme-se: a água não é poluída. A baía do Sueste acumula uma grande quantidade de alga, impedindo que a água fique translúcida. O que aparentemente seria uma desvantagem acaba se tornando na principal vantagem da baía: a grande quantidade de alga atrai a fauna que se alimenta dela e a fauna que se alimenta daqueles que comem alga. Em outras palavras, é no Sueste que você vai – quase que literalmente – entrar em contato com a exuberante fauna marinha de Noronha.

Fernando de Noronha - Baía do Sueste
Baía do Sueste

A baía é uma grande piscina, sem arrebentação. Ao entrar na água, você tem que nadar uns 4 km até chegar aos pontos de mergulho de snorkel. Eu recomendo a contratação de um “guia marinho”: eles ficam no posto do PIC e se revezam para atender aos turistas. A enorme vantagem do guia é que ele tem facilidade para encontrar os animais que nadam por ali. E isso pode ser muito importante, se você quiser ver tartarugas, arraias, lagostas e tubarões.

 

No Sueste você vai passar por uma das experiências mais tradicionais de Noronha, que é nadar com os animais. É incrível: você está nadando tranquilamente quando, de repente, aparece uma tartaruga de um lado, um tubarão do outro. E não é uma ou outra tartaruga: são varias. Uma vai embora e já chega outra. Fora a infinidade e variedade de peixes.

 

À distância de uma trilha do Sueste, está a praia do Leão, a minha preferida de Noronha. Ela concorre com o Sancho como a praia mais bonita da ilha. De um mirante logo na chegada, já dá para entender o porquê: uma longuíssima e larga faixa de areia clara, com a água mais azul de Noronha e com dois morros, incrustrados a uns 15 metros da praia. Além de ser belíssima, a fauna aqui também é muito rica. É possível encontrar tubarões a um ou dois metros de profundidade. Numa outra oportunidade conto do meu encontro frente a frente com um tubarão de Recife. (Pitaco da editora: Vamos cobrar, hein?)

 

Noite

Pensei bastante antes de definir o título deste tópico. Não dava para colocar “balada” ou “agito”, porque isso você não vai encontrar em Noronha. As opções noturnas na ilha são pouquíssimas e peculiares. Fora os restaurantes, todo mundo que espera alguma coisa da noite noronhense faz duas coisas: primeiro vai assistir uma palestra sobre a fauna marinha do arquipélago, no posto do projeto Tamar. Depois da palestra, seu programa depende do dia, já que o bar do Cachorro e a pizzaria alternam, respectivamente, forró e reggae.

 

Passeios

Barco – Um dos passeios mais tradicionais de Noronha é pegar um barco para conhecer algumas praias da ilha principal do arquipélago. A maioria das praias visitadas são as do que eles chamam de “mar de dentro”, o trecho de mar que fica entre a ilha e o continente. Em geral, os barcos param no Sancho para servir o almoço e para mergulho. Quando a arrebentação está mais fraca, dá para nadar até a praia.

 

É nos passeios de barco que fica mais fácil ver golfinhos. No passeio que fizemos, eles apareceram 3 vezes. Conseguimos algumas imagens incríveis! Também no passeio de barco é oferecido uma modalidade de mergulho de apneia (sem cilindro de oxigênio, nesse tipo de mergulho você respira na superfície e prende a respiração quando afunda), chamado planasub. Uma pequena prancha plástica – parecida com aquelas usadas em aulas de natação infantil – é presa, por meio de uma corda, a uma lancha. Se você inclina a prancha para baixo, mergulha numa profundidade de até 3 metros. Essa parte do passeio é uma oportunidade incrível para ver vários exemplares da fauna de Noronha.

 

Trilhas

Fernando de Noronha - Abreus
Trilha para os Abreus

Enquanto estivemos na ilha, a trilha mais curta para ponta do Atalaia, onde se formam as piscinas naturais mais famosas do arquipélago, estava fechada devido a chuvas recentes. Para chegar lá, só via uma trilha longa, que consumia aproximadamente 2 horas e meia para cada trecho (ida e volta) e que deve, necessariamente, ser feita com um guia. Como as visitas às piscinas do Atalaia dependem da maré baixa (e ela muda todos os dias), acabamos não conseguindo fazer o passeio. Mas para matar a vontade de ir nas piscinas naturais, fizemos a trilha para as piscinas nos Abreus. Ela consome mais ou menos uma hora em cada trecho. As piscinas não são tão povoadas de peixes e filhotes de tubarão como a da ponta do Atalaia, mas é uma boa alternativa se esta não puder ser visitada. Para os Abreus, o guia também é obrigatório.

Fernando de Noronha - Abreus
Piscinas dos Abreus

Fora as trilhas para os Abreus e para a ponta do Atalaia, todas as outras são bem tranquilas. Em geral, as trilhas em Noronha são planas, sem muitos aclives ou declives. Contudo, se tiver passado uma chuva por lá, prepare-se para, literalmente, enfiar o pé na lama.

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Quer saber mais, né? É claro… Então corre aqui:

Como chegar ao paraíso?

Onde ficar no paraíso?

Onde comer no paraíso?

Este é um dos nossos posts de viajantes convidados, uma seção que Rafa Cruz e Silva está inaugurando no Muito Além da Fronteira com o especial sobre Fernando de Noronha. Veja o post de abertura.

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5 comentários Adicione o seu

  1. Renata disse:

    Já fui a Noronha e quis ler o post só para matar a saudade! Acho super relevante dizer que a arrebentação forte acontece numa época determinada do ano (se não me engano de novembro a março). Eu fui em julho, e por isso encontrei o Sancho como uma piscina… O melhor lugar para observar a fauna era a baía dos porcos! Nas praias “urbanas” (Cachorro, Meio e Conceição) o mar estava tranquilíssimo, até avistamos arraias nadando entre nossas pernas!!!!
    Segundo os nativos da ilha, nessa época o mar fica mais forte do lado de fora (virado para o oceano atlântico e em praias como Leão, onde eu peguei muita onda, e Sueste), e o lado de dentro fica mais tranquilo.
    Eu fiz uma caminhada da praia do Cachorro até a Cacimba do Padre, passando por enseadas pequenininhas e desertas, como a do Americano. Só dá pra fazer na maré baixa, mas recomendo muuuuito!
    Por fim, concordo com o autor: a praia do Leão é TOP!
    Valeu gente! Só memórias boas!

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