Uma Noite no Museu

Ao invés de animais pré-históricos*, quem ganhou vida foram belas cervejas, obras de arte e a natureza exuberante – bem melhor companhia para passar a noite, diga-se de passagem.

 

Na última quinta-feira, dia 21/07, passamos uma deliciosa noite no Inhotim, a convite da Wäls**, para o lançamento das três cervejas que celebram os 10 anos do principal instituto de arte contemporânea de Minas Gerais.

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O Inhotim é, sem dúvida alguma, um dos museus mais interessantes que já visitamos. E não somos só nós quem está dizendo. Ele é considerado o maior centro de arte contemporânea a céu aberto da América Latina (e há quem o considere um dos melhores do mundo). Quem já visitou sabe do que estou falando: são milhares de metros quadrados de jardins e matas magníficas com obras de arte cuidadosamente espalhadas entre eles e por pavilhões dedicados aos grandes artistas do nosso tempo. Tudo isso interagindo em harmonia: visitantes, arte, natureza, paisagismo, gastronomia e agora… cervejas!

Pois bem. Para comemorar os 10 anos do Inhotim, a cervejaria mineira Wäls lançou três rótulos especialmente desenhados para conter a essência do museu, com suas cores, sabores, cheiros e sensações, significados, mistérios e encantos.

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“A Wäls é mineira, o Inhotim é mineiro. Ambos são ousados e inovadores e acreditamos que o nosso encontro é a representação completa do espírito artístico com a natureza. Nossa inspiração foi traduzir em cerveja tudo aquilo que Inhotim representa para a arte mundial”, conta José Felipe Carneiro, mestre-cervejeiro da Wäls e um do mais premiados do Brasil.

 

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Antônio Grassi, diretor-executivo do Instituto Inhotim; Luísa Rennó, esta que vos fala; José Felipe Carneiro, diretor e mestre-cervejeiro da Wäls; Ludmilla Fonttainha, jornalista e beer sommelier e Thiago Carneiro, diretor da Wäls.

 Pela primeira vez na história do Inhotim, as portas foram abertas para uma visita noturna***. E aí você me pergunta: o que tem para ver no Inhotim à noite, no escuro? Bem, com essa iluminação… tem um mundo novo de coisas para ver, sentir e, principalmente, beber.

Subimos nos carrinhos e partimos para a experiência. Foram três etapas, uma para cada cerveja inspirada e criada ali. Literalmente. Quer ver? Sigam-nos.

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1a parada: Reticulata

Descemos dos carrinhos e fomos guiados pelas luzes marcando o chão até chegar a uma capela, também toda iluminada. Ali, descobrimos que a construção (hoje restaurada e incorporada pelo instituto) é muito mais antiga do que o Inhotim, levantada pela comunidade local. A mesma comunidade que cultiva uma mexerica típica da região, com o nome científico de Reticulata. A casca dessa mexerica é o que dá o sabor refrescante e leve da Wäls Reticulata, uma Witbier deliciosa.

 

2a parada: Walkeriana

Dessa vez, o caminho nos levou até uma clareira onde fica uma das mais impressionantes “obras de arte” naturais do Inhotim: o orquidário. Milhares de orquídeas (17 mil, para ser mais exata) da espécie Walkeriana, considerada uma das mais perfeitas que há, formavam o ambiente perfeito para degustar a Wäls Walkeriana, uma Farmhouse Ale com toque de baunilha (vocês sabiam que a baunilha vêm da orquídea? Eu não. Adorei saber!) e sabor perfumado.

 

3a parada: Impetus

A essa altura, eu não fazia a menor ideia de onde estávamos no Inhotim. Além da minha completa falta de senso de orientação (ainda mais à noite), estávamos totalmente submersos naquele clima mágico. Os carrinhos foram subindo, subindo e, finalmente, chegaram ao ponto alto, do museu e da noite. Já de longe, pelo caminho guiado de luzes, avistamos as vigas de ferro enterradas no chão, propositadamente displicentes, como se tivessem sido jogadas de uma mão gigantesca no céu. De autoria de Chris Burden, o Beam Drop é uma obra ícone no Inhotim. A iluminação especial deixou tudo ainda mais dramático e cinematográfico naquela noite de lua cheia. (E ainda tinha isso, meu Deus: a lua cheia!)

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José Felipe Carneiro, o mestre-cervejeiro da Wäls, contou que, durante uma visita de brainstorm para a criação das cervejas, ele chegou ali junto com o idealizador e presidente do Inhotim, Bernardo Paz. Viu a força daquela obra, aquela cor de ferrugem – sempre tão presente nos cenários de quem é mineiro – a fumaça que soltava do cigarro do seu anfitrião e, imediatamente, visualizou a cerveja âmbar, forte e lupulada que homenagearia o local: Wäls Impetus, uma Red IPA defumada. (Confesso que, até esse dia, nenhuma Smoked Ale tinha ganhado o meu paladar. Mas essa foi uma deliciosa revelação, tanto que foi a que escolhi trazer para casa.)

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A noite ainda nos surpreenderia mais. Voltamos à capela, onde um lounge com jazz ao vivo e aperitivos do Alma Chef nos esperava. E, claro, mais cervejas pra gente fechar a experiência com um gostinho especial na boca.

Experiência para nunca mais esquecer, com certeza!

* Referência ao filme Uma Noite no Museu, lançado em 2006, em que esqueletos de dinossauros, animais empalhados e estátuas de bichos estranhos ganham vida durante a noite num museu de ciências naturais.

** O evento promovido pela Wäls celebrava o lançamento da série de cervejas especiais Inhotim 10 anos. Entre os convidados estavam jornalistas, blogueiros e especialistas do mundo cervejeiro. Eu fui na companhia da Ludmilla Fonttainha, jornalista e sommelier de cervejas – e amiga cervejeira da melhor qualidade – com quem lançarei em breve um projeto nesta área. Aguardem!

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*** Segundo os organizadores e a equipe do Inhotim, a partir de Setembro/2016 começará um projeto para visitas noturnas. Fique ligado porque, vai por mim, é lindo. Quase tão lindo quanto de dia, mas totalmente diferente do que você já viu.

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